A GUERRA DOS BLOCOS
Se a Clark Foam domina o mercado americano de blocos de
poliuretano há várias décadas, paralelamente, o líder
do segmento na terra dos cangurus tem sido o Surfblanks,
também há décadas com um produto superior ao dos seus
concorrentes como o Dyon, por exemplo, que fornece suporte
e matéria-prima (resina isoftálica) para a Bennett no
Brasil.

Lelot
Há alguns anos, acabei conhecendo melhor o produto da
Surfblanks, representado no Brasil pela Teccel, de Recife.
Ao constatar que se tratava de um produto de qualidade
superior, especialmente a nível de performance, passei a
utiliza-lo em minhas pranchas... O quiver de plugs e a
colagem são os pontos fracos, mas em contra-partida, são
de excelente qualidade, especialmente para o cliente: mais
brancos, mais leves e agora ainda mais fortes, com a nova
técnica de expansão importada dos aussies denominada
"Full Shape": toda a extensão do bloco fica
mais sólida, especialmente as bordas, tornando a prancha
ainda mais resistente. Além disso, por utilizar a resina
fenólica como matéria-prima básica, que garante maior
resistência à absorção d´água, as pranchas demoram
mais a ganhar peso. O tom do branco, levemente azulado,
realmente parece retardar o amarelamento da prancha.
Resumindo, é fácil compreender porque a Surfblanks tem
sido líder na Australia, e porque, consequentemente (e
para surpresa de muitos...), a Teccel tem produto para até
mesmo alcançar a liderança do mercado. Mas acontece que
o sucesso não depende só do produto...
A Bennett domina o mercado há anos com um perfil de
marketing e distribuição bastante agresssivos. São bons
administradores e com certeza não pretendem dar espaço a
nenhum concorrente. Segundo Theodore Levitt,
"Marketing é conquistar e manter clientes". Nos
tempos de hoje, contar com um produto de boa qualidade não
é garantia de nada. É preciso uma boa estratégia de
Marketing, e sobretudo valorizar o cliente, procurando
manter um canal de comunicação direta com ele, com o
objetivo de receber o feed-back necessário para a
conquista de seu share...
Com a alta do dólar, os blocos chegaram a disparar, com
reajustes chegando a mais de 50%. Mas surpreendentemente,
acabaram voltando atrás nos preços... Philip Klotler,
outro pai do Marketing, em uma de suas obras afirma que a
empresa dominante ao se ver pressionada por um concorrente
tecnologicamente superior, costuma usar uma estratégia de
confrontação, através de investimento mais agressivo em
propaganda e guerra de preços, procurando convencer os
rivais de que ganharão mais através de uma atitude de
acompanhamento do que de ataque...
Nos últimos anos, cheguei a ter parceria tanto com a
Bennett quanto com a Teccell mas, como todo shaper, estou
na busca constante por tudo o que potencialmente possa
garantir aos meus atletas e clientes, o máximo de
performance na água. Então, passei a pesquisar novos
materiais
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NA ERA DO
EPOXI
Prancha experimental em EPOXI KARRANA (tecnologia
nacional)
O poliuretano já domina o mercado há mais de 30 anos. E
como um velho motor, pouco resta a ser desenvolvido. Se o
objetivo for uma prancha resistente, tenderá a não ficar tão
leve. Optando pela leveza, a prancha terá pouca
durabilidade. Os fabricantes hoje concentram seus esforços
em fazer pranchas o mais leves possível, pois já é um
desafio chegar ao peso considerado ideal, trabalhando com
poliuretano e resina poliester. Daí vem o mito de que
quanto mais leve, melhor será a prancha.
Na formula 1, a Ferrari vem se destacando das demais equipes
este ano, nao somente em funcao do talento de seus pilotos,
mas sobretudo em função de um carro feito com materiais
extremamente leves, que permitem o ajuste da distribuicao de
peso do carro, de acordo com o estilo do piloto e as
características de cada pista.
Agora imagine um novo conceito de prancha, composto por
novos materiais que, assim como os carros da Ferrari, pode
ser muito mais leve do que uma prancha convencional. Uma
prancha muito mais resistente, que não fica mais flexível
com o tempo, não amarela, não da morsas e que, quando começa
a entrar água e ganhar peso, basta fazer um furo na rabeta
para a água escorrer e ela voltar a ser tão leve quanto no
primeiro dia de uso. Com maior remada, velocidade e projeção,
ela entra mais fácil na onda e acelera mais rápido do que
uma prancha comum, o que a faz parecer turbinada dentro d'água.
Trata-se de uma das tecnologias que mais tem se expandido
entre os fabricantes de prancha, a nível mundial. Uma
tecnologia que permite pranchas extremamente leves e
resistentes, com performance superior e distribuição de
peso que, com o início das pesquisas, tenderá a ser
personalizada de acordo com o estilo de surfe e características
de cada onda, da mesma maneira que a Ferrari regula seus
carros para o estilo de seus pilotos e de acordo com as
características de cada pista.
Na próxima SALA DE SHAPE, trarei uma análise completa com
a opinião de vários atletas e shapers de ponta, com relação
a esta nova tecnologia, que tanto pode ser apenas uma nova
opção para o mercado, como até mesmo acabar
revolucionando o esporte. O Futuro... Quem poderá prever?
Boas ondas,
Henry Lelot

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